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    Adore Vintage moda

    Para as mulheres…

     Não se nasce mulher: torna-se”, o que a filósofa Simone de Beauvoir queria dizer, é que uma mulher não se faz apenas pelo sexo ou preocupação com a beleza exterior, pois quando se evidencia apenas esta, anuncia por ela própria que não temos outro maior mérito.

    Certa vez no colégio eu precisava desesperadamente de escolher um tema para realizar um trabalho, e foi assim que cheguei ao Sufragismo (movimento sociopolítico e econômico de reforma, com o objetivo de estender o direito de votar as mulheres), e ao me aprofundar neste grande momento na história da luta feminina,  me deparo com o poderoso e belíssimo poema que celebra os desejos femininos.

    Um de seus trechos dizia assim;

     ”…Enquanto nós vamos marchando, marchando, nós sempre batalhamos muito para homens,

       Eles são filhos das mulheres, e nós servimos-lhes de mãe outra vez.

       Nossas vidas não serão suadas do nascimento até que a vida se encerre;

    Os corações famintos assim como os corpos; dê-nos o pão, mas dê-nos rosas”.

    (Pão e Rosas,  foi um poema inspirado por uma greve de 1912 pelos Trabalhadores Mill).

     Estas mulheres queriam muito mais que o direito de voto, ou melhores condições de trabalho, mais que isso, elas queriam o direito de desfrutar de suas vidas, família e beleza, com total dignidade.

    Aposto que enquanto você lê á isto deve estar pensando; “E daí?!, hoje em dia nós já votamos, nos vestimos como queremos, e a queima de sutiãs já era!”.

    Deixo esta apresentação belamente poética aqui registrada, para que se faça pensar, para que se nutra em nossa geração de “mulheres livres”, a capacidade de sempre querer mais, de sempre sermos mais, não pela bolsa que combinamos com os sapatos, ou pela maquiagem que nos emboneca. Não me considero feminista, mas sim feminina, que se preocupa com o que está por dentro e por fora. Porque não lançarmos esta tendência a esperança, otimismo, e feminilidade? Assim tiraremos logo esta impressão infantil, fragilizada e antiquada dos olhares que sob nós recai! .

    Mesmo assim, teimo em dizer; Ah, como é bom ser mulher! .

    Com amor;

    adore vintage: vestindo para o prazer

    ‘’…Oops, I didn’t know I couldn’t talk about sex…’’ (Human Nature-Madonna 1995), o Adore Vintage hoje veio provocante, e revelando o sub-mundo do Fetish!

    Couro, látex, borracha  de plástico, nylon, PVC, spandex, e até aço inoxidável. Esta é a composição perfeita para os looks nada usuais do universo “fetishista”. Todo mundo sabe um pouco sobre este universo atraente, mas poucos sabem que existiu um grande homem e uma grande revista por trás de todo este látex.

    John Sutcliffe tinha um talento natural e uma enorme paixão por couro e garotas em motocicletas, e isso foi o suficiente para que em 1957 nascece a AtomAge, denominada como “um fabricante de impermeáveis ​​para as senhoritas  pilotos ou para as que vão na garupa”. Na década de 1950 não existiam grandes opções para que as mulheres praticacem o habito de pilotar motocicletas como homens, por isso logo que abriu, as encomendas surgiram loucamente. Se você estivesse nos anos 60, á procura de figurinos dramáticos, a AtomAge era o lugar perfeito para expor suas fantasias mais intimas. Certa vez, Sutcliffe viu uma jovem em uma motocicleta, usando jaquetas e botas em couro, porém eram masculinas, então ele se propôs a criar uma indumentária mais feminina e apropriada á beleza da jovem, que era ninguem mais, ninguem menos que Marianne Faithfull.  Sutcliffe poderia ter tido maior destaque no mundo da moda, mas por não ser um bom administrador financeiro, perdeu enormes oportunidades  neste mercado, mas não foi apenas sua culpa, na verdade o grande vilão desta história chama-se “pré-conceito”.
    Após o mágico periodo fashionista da Carnaby Street em Londres durante a década de 60, os negocios só retomaram o fôlego em 1972, quando John, decidiu criar o catálogo da AtomAge, onde ele usava fotografias coloridas ou em P&B de suas peças, e as vendia pelo correio. A proposta era tão fascinante que logo se concretizou em uma revista que recebia até mesmo fotos de fãs usando seus looks sensuais.  A AtomAge foi publicada até 1980, e em 1987 seu patrono faleceu, trabalhando em sua mesa. Em verdade, o legado de Sutcliffe será sempre lembrado mesmo que nas sombras do mundo da moda, e o Adore Vintage não poderia deixar de passar á diante a história deste brilhante designer de todos os tempos!

    A dica cinematográfica de hoje, fica com um filme de 1968 estrelado pela própria Marianne Faithfull: “Girl On A Motorcycle”. Infelizmente quando falamos deste filme, nunca achamos o nome de John Sutcliffe, mas basta assistirmos para perceber que o trabalho de John está impregnado nesta hitória.

    Para ouvir:

     

     

    Stephanie Padilha é produtora de moda, e por ser apaixonada por História da Indumentaria,    desenvolveu o Adore Vintage Blog, o qual é um espaço criado para inspirar.

    Adore Vintage: Celebração a Nostalgia

    Meu trabalho sempre lança um olhar melancólico para uma outra era, isso é inevitável em minha realidade. Amar roupas vintage, música antiga, filmes antigos, se torna na verdade minha mensagem de consciência social, através da fantasia. Tenho como exemplo os pensamentos que tomaram conta de mim dias atrás, enquanto ouvia uma canção de 1916, chamada: “The Girl on  the Magazine”. A  velha canção de áudio ruim que preenchia o ambiente naquele momento,  mesmo tão antiga  não precisaria ter sua letra alterada para ser considerada relevante nos dias atuais.

    “A nostalgia do passado é um meio de evitar a dor do presente.”. Esta frase ecoava em minha mente,  me fazendo pensar que talvez o meu fascínio com o passado fosse minha tentativa de autodefesa para as dores do mundo atual, como se eu estivesse guardando-me da realidade. Em análise, a nossa situação atual é sempre semelhante ao clima de outrora, mas o questionamento que deve ficar é: “O que fizemos para sair daquela situação, e o que podemos fazer agora?”.

    Vejo o passado como a segurança que precisamos ter para viver no presente em busca do futuro. Sim, podemos ter consolo na história e o fato de que os seres humanos são limitados, faz com que repetiremos os nossos erros, politicamente e pessoalmente, e a vantagem é que sempre se aprende algo com os erros e acertos. Mas, mesmo assim, será que podemos por favor trazer as palavras cordialidade e elegância para o nosso cotidiano?

    Confesso que ás vezes penso que seria muito bom poder parar as coisas, diminuir o fluxo incessante de informações ou  mesmo  perder a tecnologia para voltarmos ao tempo em que a satisfação existia na simplicidade e na inocência, afinal, essas foram consideradas,  em algum dia como bem-aventuranças.

    Ah, se eu estivesse vivido nos anos 10,20 ou 30,  e se eu tivesse sido uma show-girl  no  palco do Moulin Rouge, ou uma das garotas do Ziegfeld Follies…Felizmente, meu sentimentalismo não é  tão tolo assim e meu foco tem mais a ver com as lições que podemos aprender com a história.

    Possivelmente eu não seria tão feliz quanto sou hoje, por poder sentar-me diante do computador e apresentar ao mundo minhas ideias e valores em formas de imagens, vídeos, roupas e textos. Minhas chances de vida no passado seriam remotas pois eram tempos difíceis, entre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial foi tudo muito assustador e, as Grandes Depressões do mundo não foram nenhuma festa na piscina!

    Para muitos, vestir roupas antigas pode parecer uma falsa nostalgia, mas na verdade esta é minha maneira de estar conectada a humanidade. Todos nós sentimos nostalgia. Somos feitos para a nostalgia e nada deve silencia-la, devemos treinar nossos instintos para sermos pessoas melhores, cada um ao seu estilo.

    O show precisa continuar, e nossas memórias melancólicas nos ajudam a crescer e meu objetivo é o de fazer esta luz brilhar, então…Viva o gramofone, os balanços nas árvores, as flores no quintal, os livros na estante…Pois segundo o escritor norte-americano Ernest Hemingway: “A memória é a fome”, e se assim for, eu estou faminta!

    Com Amor,

     

     

    Stephanie Padilha é produtora de moda, e por ser apaixonada por História da Indumentaria,    desenvolveu, o Adore Vintage Blog, o qual é um espaço criado para inspirar.

    adore vintage: hora do chá

    Uma das coisas que mais me encantam quando vejo fotografias antigas, é o costume que as pessoas tinham de estarem sempre juntas ao ar livre, ou mesmo em torno de uma mesa bem posta para almoço, jantar ou para o chá da tarde.

    Este último por sua vez, foi algum dia um procedimento cortês para aristocratas na França e Inglaterra, e mais tarde, também para os chamados americanos de “sangue-azul”. Outra curiosidade do hábito de se tomar chá ocorreu durante a Revolução Industrial, o chá era a refeição servida pela classe de operários, chamada de “Colarinho azul”, e era simplesmente a refeição colocado sobre uma mesa com carnes, pães e raramente alguns doces.  Talvez aquele fosse um dos melhores momentos do dia, após uma intensa jornada, onde crianças e adultos de uma mesma família arriscavam suas vidas em trabalhos pesados nas fábricas.  Algumas décadas depois, em meados de 1950, nos Estados Unidos, a idéia do chá se popularizou, passou a ser considerada como uma guloseima.

    Uma das grandes referências em chá francês é a Mariage Frères Tea Company que existe  desde 1854 em  Paris, mas não é preciso ir tão longe por uma boa xícara de chá,  pois agora temos a belissima A Casa De Chá-Deluxe Tea , bem aqui em BH. Trata-se de uma loja, que não serve o chá na hora, mas é especializada em chás e infusões importadas de altíssima qualidade, bem como acessórios para o chá e presentes sofisticados!

    A mesa posta irradia um charme cativante, é como se naquele breve intervalo de tempo todos os convidados a sua volta estivessem abrindo mão de sua “Solidão Tecnológica”, para estarem novamente em contato com os demais. Minha perfeita mesa de chá é composta por: flores, doces, tigelas com frutas, e claro, deve conter pelo menos três opções de saborosos chás, nada espalhafatoso ou extravagante. Você támbem pode criar sua própria tarde de chá com amigos,  mas não se assuste, pois não é preciso talento diplomático algum para  realizar momentos como estes, mas se mesmo assim, você ainda não souber como  fazer, é só conferir este video que ensina  boas maneiras para preparar a perfeita mesa de chá, chamado Arranging The Tea Table de 1946. Outra boa maneira para aproveitar este momento, é a dois, isso pode ser também extremamente sedutor, prova disso é o filme “ Tea For Two” de 1950, onde a doce canção de mesmo nome, é interpretada por Doris Day. Este mesmo filme é uma adaptação da comédia musical da década de 1920 entitulada “No, No Nanette”, que por sua vez teve outra adaptação em 1940. O Adore Vintage recomenda, e afirma: classe não envelhece!

     Stephanie Padilha é produtora de moda, e por ser apaixonada por História da Indumentaria,    desenvolveu, o Adore Vintage Blog, o qual é um espaço criado para inspirar.

    Adore vintage: lá onde o ar é rarefeito

    Quando eu era apenas uma garotinha, por inúmeras vezes fui interrogada com a seguinte pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”, e no mesmo instante em que ouvia isso eu logo pensava: “Serei eu uma arqueóloga, que escava as profundezas para descobrir tesouros históricos, ou talvez uma oficial da aeronáutica, ou quem sabe uma Comissária de Bordo?”.
    Na verdade meu fascínio pelas duas últimas opções citadas acima, deram-se pela minha paixão por seus uniformes! É, eu adorava me imaginar trajando um daqueles conjuntos de blazer e saia bem alinhados, com broches adornando os bolsos, cabelos hermeticamente bem presos equilibrando no topo da cabeça um lindo e pequeno chapéu com insígnias, e intenso batom vermelho emoldurando um sorriso receptivo!

    De certa forma me tornei uma arqueóloga, escavando o passado e descobrindo seus tesouros, e lamentavelmente não me alistei na aeronáutica muito menos fui aeromoça, uma pena, pois eu adoraria dizer: “Come fly whit me!”, e é esta a dica cinemtográfica desta coluna Adore Vintage de hoje: um filme de 1963 baseado no livro “Girl on a Wind” de Bernard Glemser, estrelado por Dolores Hart, Hugh O’Brian e Karlheinz Böhm.


    O enrredo é simples e leve, sobre três jovens comissárias que estão em busca de amor e aventuras nos tempos do "Jet Age", (período de grande desenvolvimento na industria aeroviária). Mas este tema não está esquecido, prova disso é a nova aposta da emissora de Tv americana ABC, que estreiou no último dia 25 de setembro "Pan Am", a série leva o nome de uma das principais companhias aéreas americanas (de 1930 á 1991). Desta vez quem veste o elegante uniforme azul é; Christina Ricci, Margot Robbie e Kelli Garner.