Categorias
  • Categorias Categorias

    Coluna Neura

    Coluna Neura: Confusão na firma

    - Olha, coração, ta difícil, cara. Você tem me feito de bobo pra todo mundo.

     - Calma, cérebro, fala baixo. Você e essa mania de falar tudo bem alto, como se não soubesse que sou 40% surdo…

     - É esse o problema, meu amigo. Eu grito e você não escuta. Entra por uma artéria e sai pela outra.

     - Não exagera.

     - Exagero é o tanto que você já se machucou. Sorte sua que preciso de você para outras tarefas, além de se apaixonar. Tipo, bater mais forte quando vê os sapatos da nova coleção da Schutz. Se não fosse por isso…

     - Você sempre grosso, pouco se lixando para os meus sentimentos… Só porque é cérebro acha que tá sempre na frente!

     - Mas eu estou.

     - Então prova.

     - Lembra aquela vez que você bateu mais forte pelo Paulinho?

     - Não queria, mas lembro.

     - Viu? Você é tão burro que até hoje lembra do Paulinho. Mas enfim… Lembra que eu disse que aquela mania estranha dele te ligar 1h a madrugada mostrava que ele não tava nenhum pouco a fim da nossa chefe? Que o coração dele nunca bateria que nem você?

     - Lembro mais ou menos. Isso eu fingi que esqueci. Na verdade só lembro do Paulinho quando toca Djavan.

     - Mentiroso! Você me faz mandar ordens para que os dedos fucem o Facebook dele quase todos os dias.

     - Não tenho culpa se acelero quando vejo recado daquela baranga…

     - Baranga? Coração, aquela loira era prima do Paulinho!

     - E eu com isso, Cérebro? Quem é mais esperto e detalhista é você. Não tenho culpa se não reparei que eles tinham o mesmo sobrenome. Você também não avisa!

    - Você me desativou! Você sempre me desativa nesses seus momentos de desespero!

    - É que você corta meu barato.

    - Sei. E você me fez mandar a chefe dar o maior chilique na porta da casa dele! E ainda acordei todo dolorido de tanta tequila que tomamos para acalmar. Você não faz ideia o quanto tive que ouvir das pernas, depois daquele tombo que nossa patroa levou…

    - A chefe gosta muito mais de mim. Olha, só, agora to super acelerado. Acho que o ex-namorado dela mandou mensagem.

    - Você sabe que esse cara não te faz bem, não sabe?

    - Alô? Quê, cérebro?

    - Coração? Coração? Ta me ouvindo??

    - Não, não escuto nada! Oi?? Alô, alô? Fala mais alto??? Desculpa, a ligação de veias está muito fra…ca!! Alôooo?

    - Grrrrr! Você é um caso perdido! Detesto quando estou no meio do esporro e você me deixa falando sozinho. Depois não vem pedir que eu dê ordens para a chefe comer chocolate só para te aliviar. Nem vem.

    Imagem: Matt Wisniewski

    Coluna Neura: Pólo Norte

    Destinatário: pólo norte

    Mulheres, mudei de opinião. E preciso me redimir. Quero pedir desculpa a meia dúzia de leitoras que no começo, bem no começo, liam meus textos apaixonados e acreditavam comigo que em todo mundo acontecia. Mudou. Acordei e tive a certeza. Foi difícil aceitar logo pela manhã, mas agora já passou das duas e digeri. Descobri: existem sim homens sem coração.

    E eles não são culpados de serem assim. Só priorizam outras coisas boas – ou ruins – da vida, que exigem atenção de outros órgãos mais amigos do cérebro. Esses homens se amam muito. Possuem o coração inchado, inflado de si. Não falta o órgão, falta o uso. É como um jogo de tabuleiro sem as regras. Eles foram fabricados assim. Sem devolução. Nem adianta fazer o recall. A vida é cheia de escolhas e essas artérias de gelo preferiram não amar, porque amar dá trabalho, gasta tempo, em algum momento pode ser incerto.  Para aqueles que possuem o inverno no peito, a incerteza requer muita coragem.

    Não, não sintam dó desses homens. Não fiquem com raiva e preparem o salto vinte para jogar no meio das pernas desses caras. Eles são felizes assim. E tudo em volta fica feliz também, porque eles transbordam de emoção em sentimentos mais exatos. Sentam em mesas de bares tranqüilos, sem preocupações que precisam de sentimentalismos além da primeira dose do whisky. Imagine só, nunca mais sentir aquele apertinho que dá no peito quando alguém que a gente gosta some por horas e não dá notícia? Quando a gente se enche de “achismos” e cisma que ama?  Essa vida “sem sentir”, “sem gostar” é um baita privilégio. Imagine mais, como deve ser gostoso não tentar se relacionar com essa parte obscura que nem Platão soube definir que é o Amor com a maiúsculo. Sem mais ironias, dá até um pouquinho de inveja. Ah, se eu pudesse me dar o luxo de não sentir… Seria uma colunista desempregada, mas talvez mais feliz.

    Essa vida sem coração deve ser mesmo muito boa. Mas olha só, órgãos do pólo norte, you`ve got a message. Não sei se é fofoca, mas me contaram ontem que precisamos em algum momento da vida nos permitir sentir. Ou dá uma úlcera danada. Quem me contou não era médico, mas vai saber, né?

     Marcella Brafman é colunista de comportamento e relacionamento. Profissional em contar casos e questionadora do universo feminino. Você acha ela aqui: @mabrafman.

    Coluna Neura: A falsa puritana e o psicólogo

    A mulher falsa puritana me irrita. Vou explicar por quê. É aquela que se o cara sutilmente sugere um motel, fala “ok, mas só para conversar, tá?”. E me deixa refletindo sobre o que seria divertido conversar em um motel. Talvez sobre a intensidade da luz de néon, ou sobre a variedade de lubrificantes no cardápio. Um outro assunto super em alta é o mercado das bolinhas massageadoras. E não deve existir nada mais divertido que ligar a TV e colocar no jornal da Globo para discutir juntos, deitados, olhando para o espelho do teto, a previsão do tempo.

    A mulher puritana gosta de manter a imagem de boa moça até na porta de um motel sujo de beira de estrada cheio de prostitutas gemendo no quarto ao lado. Quem será que ela quer enganar?

    Ela fala que vai para conversar, e muitas vezes, meu amigo, não se anime e vá escolhendo a suíte double luxo master temática, a mulher vai é para pegar no papo mesmo. “Não dá, pára, Fernando, estamos indo rápido demais”. 100 reais essas duas horas de divã. A falsa puritana vai fingir que o cara não está de pau duro dolorido de tanto tesão, e fazer o coitado de psicólogo as três da manhã.

    Ela senta na cama redonda do motel pensando em um monte de sacanagem, mas não vai fazer nada, não pode. Seu puritanismo falso que a colocou ali, de perninhas cruzadas ao lado da cadeira de mil e uma posições não permite.

    E ela passa todo esse mico king kong só para conseguir respeito, uma ligação no dia seguinte, um pedido de namoro. Vai embora e deita a cabeça no travesseiro tranqüila, porque fez a sua parte sendo uma boa moça. Com a calcinha toda molhada.

    Marcella Brafman é colunista de comportamento e relacionamento. Profissional em contar casos e questionadora do universo feminino. Você acha ela aqui: @mabrafman.

    coluna neura: quem deu um piti não está mais aqui

    Quando o espírito mulherzINHA aparece, dá um bicudo no anjinho, domina o diabinho e começa a te infernizar até que você grite, invente neuras na sua cabeça e exploda que nem um a mulher-bomba de TPM, tente:

    6 formas de evitar dar um piti de mulherZINHA:

    • Conte até 10. É sério. Isso funciona. Se todo mundo contasse até 10 antes de falar, a gente escutaria menos besteira na fila do banheiro.
    • Esqueça que o sexo pode ser mil vezes melhor depois da briga. Pelamor, quem foi a sonsa que inventou isso? Depois da briga, a única vantagem de dormir de conchinha é que fica mais fácil de matar o outro sufocado. As coisas são boas quando tudo está bem. O sexo também.
    • Não tem nada pior do que gente que se comporta como criança ou adulto quando melhor convém. Na hora de pedir respeito fala que é mulherÃO, mas paga o maior mico dando piti de mulherzINHA? Assim não dá.
    • Infelizmente uma das nossas traiu o movimento e contou para os homens que essa coisa de falar que está na TPM não passa de desculpa. Então, o primeiro passo para evitar o piti, é saber que colocar a culpa nos hormônios não cola mais. E é até cafona. A TPM só serve de desculpa para comer chocolate. E tenho dito.
    • Preocupação causa rugas e tira o sono. E falta de sono dá olheiras. (não sei você, mas eu só acho que fica bonito em filhote de panda)
    • Não existe nada mais vergonhoso que escutar piti dos outros na fila da farmácia, por exemplo. Sabe aquela vergonha alheia que vem lá do estômago e contrai todos os nossos músculos do rosto? Pois é.

    Viva o mundo sem piti! Onde as mulheres continuam desequilibradas, por que nada é perfeito. Mas sabem o momento e o tom de voz exato para expor sua chateação. Coisa de mulherÃO.

     

     

    Marcella Brafman é colunista de comportamento e relacionamento. Profissional em contar casos e questionadora do universo feminino. Você acha ela aqui: @mabrafman.

    Coluna Neura: Que bom seria se conversas entre mulheres acabasse mais em cerveja e menos em inveja

    Tumblr_lsg5fty9ud1qf3gy5o1_500_large

    Tá faltando união. Falta acreditar um pouco mais em nós mesmas. Falta ter mais coragem para apresentar o namorado para amiga loira e bonita sem medo, sem neura, sem insegurança. Tá faltando mesmo é celebrar mais nossas conquistas com brindes de sinceridade. Sabe como? Rir mais pra gente e não da gente. Menos inveja, menos disputa de melhor bolsa, melhor sapato, melhor cirurgião plástico. Aposentaríamos o nosso colar de olho gordo.

    Sinceramente, mulherada. Pra quê? A gente sabe que não é por medo do vizinho invejar nosso vestido novo no elevador. No fundo, não esperamos que a gongada venha de um homem. Provaríamos para o mundo que somos uma raça unida.
    Quanta hipocrisia nos desunir… Se nascemos do ventre da mãe, da melhor amiga. Conseguimos direitos de amar e caímos na hipocrisia de culpar a amante. Nos orgulhamos de ser independentes e competimos por dependências. Nos unimos para lutar por nossos direitos, e logo já nos desunimos para usufruí-los. Somos mulherzinhas, feministas, colegas, companheiras quando convém, é isso? Blerg. Plasil na veia pra gente. Tem alguma coisa muito errada. E não é defeito de fábrica. A gente podia sentar e simplesmente tomar uma. Numa boa.

    Mas, ó, se você manda recados pro namorado da amiga, esqueça tudo que acabei de dizer. Você precisa mudar de atitude para tomar uns bons drink com a gente.

     Marcella Brafman é colunista de comportamento e relacionamento. Profissional em contar casos e questionadora do universo feminino. Você acha ela aqui: @mabrafman.

    1. Páginas:
    2. 1
    3. 2